"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente,voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra,torcem até não pingar do pano uma só gota.Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa.A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso;a palavra foi feita para dizer."
Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948.
"Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra,que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.
Carlos Drumond de Andrade , in A Rosa do Povo.
O que é o fazer poético? Seria uma trabalho árduo, de cortes, supressões ou apenas inspiração?
domingo, 18 de outubro de 2009
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